Quarto da madrugada


06/02/2008


Texto de Alguns meses Atrás!

Em toda minha vida, vi apenas duas estrelas cadentes. É como um pequeno rasgo na imensidão do firmamento, cintilante, sibilante, incrivelmente azul e mística. Quando vi pela primeira vez achei realmente que se tratava de uma ilusão; até então eu conhecia tanto estrelas cadentes quanto uma menina de 9 anos ao observar uma estrela cadente de plástico em um presépio ou em uma árvore de natal. Antes tarde do que nunca.

Estrala cadente. Péssimo nome para algo tão surpreendentemente bonito como isso. Por que não estrela ascendente? Uma vez que nos confins do tempo e do espaço a posição cartesiana que temos gravada em nossas singelas mentes não existe. Uma vez que não existe também direção dentro de um infinito surreal de espaços vazios que é o universo. É estranha a tendência pessimista do homem. Preferimos sempre o ridículo ao sublime, o obscuro a glória, o ordinário ao extra-ordinário, o vulgar, o pequeno, o banal. É preciso mover o mundo, meus amigos, mesmo que, para isso, tenhamos que nos mover.

O mundo está cheio de cadentes. No sorriso vulgar, na alegria comum, na beleza ordinária. Isso é saber aproveitar a vida em suas minúcias. Não que seja errado, para mim apenas existe e estou cada vez mais convencido de que deva existir. Quanto mais vivo mais tenho formulado idéias sobre a vida; talvez devêssemos conversar mais, conhecer mais aquele ser ali sentado, a comer um pastel vagabundo em uma barraca maltrapida em uma calçada qualquer. Qual a diferença entre você e ele, e até qual a diferença entre eu e o pasteleiro? Talvez consista no fato dele ter uma barraca de pastel e eu não. Talvez consista no fato de eu ter um bloco de notas em um computador e ele não. Nunca se sabe. Somos todos tão cadentes. Desconto no bloco de notas meus sonhos de ascendente, de crescente, de sublime e glorioso, quando sei que na verdade não se pode exigir muito de uma pessoa tão comum e napoleônica como eu.

Lendo alguns contos atuais percebi que atualmente não andam escrevendo nada de bom. Quer dizer, nada de realmente bom. Percebi também que estou cada vez mais distante de escrever algo de útil. Acho que é por que penso demais e minhas idéias ficam cansadas de tanto se exercitarem em minha cabeça. Coitadas. Nascem, crescem e morrem em minha cabeça. Brevemente não terei mais espaço para enterrar nenhuma mais. Voltando; lendo alguns contos atuais percebi que atualmente eu também não ando escrevendo nada de bom, e que também não tenho jeito nenhum para ficção. Ó doce ficção que me atormenta os pensamentos e que permanece sempre tão distante de minhas singelas palavras a desfilar nas linhas retas desse bloco de notas.

Apontei para o céu e alguém olhou para o meu dedo. Acabei de ver uma estrela cadente, disse ao amigo do meu lado. Grande merda uma estrela cadente, ele retrucou. Talvez tudo se trate exatamente disso, talvez acabamos por esquecer nas cinzas dos dias úteis um pouco de nossa serenidade pueril.

As vezes fico pensando quantas estrelas cadentes deixei de ver ao permanecer olhando para meu próprio céu, para minhas próprias estrelas, a procurar dentre elas uma estrela ascendente. Nunca se sabe. E é justamente por isso que não as vejo. As vezes fico pensando quantas estrelas cadentes já vi durante o dia, sem querer, ao observar uma ave qualquer, ao tentar enxergar um eclipse, ao comentar com meu irmão sobre uma nuvem que parece um grande demônio... Nunca se sabe, uma vez que as mesmas estrelas, tão brilhantes e nítidas da noite de outrora ainda estarão lá no dia posterior. É incrível mas elas continuam lá. Cadentes ou não, continuaram lá.

Escrito por Liah às 02h24
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29/01/2008


Fim de Semana com um Coqueiro!

Não pude evitar, quando fui ver já tinha ficado amiga daquele enorme coqueiro. Claro que não foi assim, de uma hora pra outra. Leva tempo até a gente se apegar realmente a um vegetal: eles não são muito expansivos, não falam nada e não dão sinais evidentes de afeto.

Mas se você prestar bastante atenção, verá que uma boa amizade pode ser cultivada. Literalmente. Entendeu, entendeu? O coqueiro fica no jardim da casa da minha amiga Ana D. onde eu fui passar o fim de semana. Confesso que, nas primeiras vezes que fui pra lá, nem dei muita bola para ele. Da última vez, no entanto... Era fim de tarde e eu estava cansada dos dias loucos que estávamos tendo por lá. Sentei na varanda, estiquei as pernas em cima de um murinho, olhei o sol se pondo, o céu vermelho, diante desse cenário de calendário de padaria eu já estava quase me convencendo de que a vida era boa e tudo ia dar certo no final. Mas eis que minha atenção foi desviada pelo tal “coqueirão”. Você deve saber que bastam algumas horas em um sítio para as coisas irem mudando dentro da gente. Vamos ficando mais calmos, contemplativos, os pensamentos vão se tornando profundos e leves, cadenciados pelo barulho das havaianas batendo no calcanhar... A gente fica num meditar tranqüilo como o balanço da rede... (E com vontade baiana de acabar todas as frases com reticências...). Foi nesse espírito que olhei o jardim e, quando dei por mim, já tinha pensado: “esse coqueiro é legal”. É uma árvore desengonçada, magrela, reta e com aquela cabeleira toda desarrumada, lá no alto, que nem o Louco da turma da Mônica. Deve ser um piadista. Um desses caras altos e meio tímidos, mas com um humor afiado. E, cada vez mais empolgada por esse clima hippie-praiano, comecei a pensar: pô, ele é um ser vivo, eu também. Ambos temos que nos alimentar, beber água e respirar. Ambos nascemos e ambos morreremos. Aconteceu de eu ser gente e de ele ser coqueiro, a evolução o levou a fazer cocos e eu a fazer, a fazer...sei lá, mas enfim num passado longínquo éramos o mesmo microorganismo. No terceiro no sítio, eu já estava até pensando em abraçar o coqueiro e chamá-lo de meu irmão, mas tive que voltar pra cidade. Ainda bem. Não sou do tipo que se apaixona por árvores (entendeu? não? é só eu entendi mesmo). Não ainda. Hoje à tarde, num dia quente, cinza, porém sem o “chuá chuá” das cachoeiras. Querendo saber mais sobre o assunto, liguei para a Adelina, minha amiga bióloga. Tirei-a das profundezas obscuras de seu mestrado e perguntei: Dé, diz aí tudo o que você sabe sobre coqueiros. Durante alguns minutos escutei coisas fabulosas e achei por bem pesquisar algumas outras coisas no Google. Por exemplo: na África morrem mais pessoas atingidas por cocos que caem da árvore do que em acidentes aéreos; a carne do coco chama-se endocarpo e, o mais esdrúxulo; a água que a gente bebe é o endosperma. Nesse momento, pedi para ela parar. Era mais informação do que eu precisava. Endosperma? Que coisa é essa? Mudei de assunto, mandei beijos para a família e desliguei. Há coisas que a gente não precisa saber sobre os amigos.

 

Escrito por Liah às 00h11
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27/01/2008


Cá com Meus Butões!!!

 

Permitir-se

Indubitavelmente, hoje em dia possuímos inúmeras maneiras de sermos controlados: emails, celulares, micro câmeras, microfones e por aí vai. Entendo que além da sensação de sempre estar sendo observado; todos esses aparatos criam uma necessidade muito grande de controlar. Ou seja, de ter as atitudes de outrém sob o próprio comando. Minha única grande dúvida é por que nos deixamos ser dominados por esse desejo, quase que imposto.

Buscar o controle total sobre o que nos cerca é, basicamente, decretar-se preso dentro de si mesmo. É delegar às atitudes alheias a responsabilidade de coordenar o leme de nossas vidas. Se praticamente ninguém gosta de ser controlado; por que essa necessidade crescente de ter sob os olhos todos os passos de quem nos importamos? Talvez isso seja uma das maiores provas que não nos permitimos ser livres. Por favor, não quero dizer que deveríamos ter a liberdade para desreipeitar aqueles que amamos ou qualquer outra pessoa. Digo sim, que deveríamos nos permitir a liberdade como um todo; principalmente a liberdade de aceitar o desprendimento inerente ao ser humano. Liberdade não é, nem de longe, algo parecido com fugacidade ou sentimentos volúveis. É um sentimento, não de indiferença, mas de profunda relação com o respeito pelo próximo; pela palavra e pelos gestos direcionados à nós.

A neurose pelo controle nos afasta de nós mesmos; acabando por definhar a habilidade e, até mesmo, o direito de permitir a simples condição da existência. Por falar nisso, há em nosso atribulado dia a dia, alguma sensação melhor do que simplesmente existir? Apenas fazer parte da criação ... saber que aqui estamos dotados da capacidade de amar ao próximo pelo que ele é, não pelo que gostaríamos que fosse. Impor nossa condição de vida sobre alguém, pode ser a prova de que não conseguimos fazer o mesmo conosco. Jamais podemos permitir que nos aprisionemos em virtude de algo que não deveria ser nossa responsabilidade.

 

E a partir de hoje eu procurei me tornar um ser humano que simplesmente permiti, a liberdade das atitudes daqueles me cercam!!!

 

 

Talvez, o ser humano deva encontrar-se consigo mesmo; sem buscar causa ou efeito do que já existe; procurando apenas usufruir da própria existência ...

 

Escrito por Liah às 22h00
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19/01/2008


Meus Butões

Não Tenho duvidas de que Deus nos apresenta todas as pessoas e coisas que devemos conhecer!

 

Escrito por Liah às 02h25
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04/01/2008


Início de ANO!!

Ano Novo...Vida Nova...Blog Novo...

Como todo começo de ano...Reflexões 2007...Promessas 2008!

2007

Tentei viver sem fazer planos, é estranho, a vida sem ilusão fica vazia...Como se nós tivessemos um dia contado pra viver! Existem choros que são verdadeiros empurrões, existem lagrimas que são verdadeiros espelhos. A ausencia de sinceridade torna-se um verdadeiro vício. Coisas mais simples fazem mais falta. O silêncio as vezes é sinônimo de algo bom. Uma mentira será sempre uma voz do além, uma enchaqueca, um martelo na ponta de uma mesa. Amor não muda ninguém, ele só desperta os sentimentos dderivados dele que cada um possui. Continuamos os mesmos seres com os mesmos defeitos. A bebida alcoolica á a chave que libera nossos instintos da jaula da sensatez. Temos total liberdade para escolher/decidir quais sentimentos alimentar...

2008

Lista Necessária Sem Sentido...

  • Regime
  • Férias Emocionais
  • Não se desconsertar por não ter controle
  • Manter orkuticídio e não pensar em ter Orkut pelos proximos 50 anos.
  • Assassinar todas as idéias
  • Me empanturrar de música
  • Não ver em tudo céu, não fazer de tudo cais.
  • não dar conselhor porque não tenho T-A-L-E-N-T-O para conselhos maduros!

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Escrito por Liah às 18h14
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E só pra começar...entaum essa sou eu: perfil? sim!

 

Ela é uma garotinha/mulher cheia das manias infantis, gosta de tudo do seu jeito, e fecha a cara quando as coisas não saem como quer.Procura entender o porquê dos acontecimentos... e tenta aprender as lições que a vida coloca na sua frente... Não gosta de admitir que falhou, mas assume seus erros com classe. É estranha, é surpreendente. Ela pode estar sorrindo de tudo, e de repente... estar chorando por nada. Não tente adivinhar suas ações ou suas reações... Ela não costuma insistir naquilo que percebe não valer a pena. Ama, ama incondicionalmente... Não odeia, não guarda mágoas, não pensa em vingança... Gosta de deitar, fechar os olhos, fugir do tempo. É daquelas que pensa, repensa, e pensa mais uma vez antes de dormir. Escrever, ela adora escrever o que sente, o que pensa...Normalmente é uma companheira animada, agradável e alegre. Tirando suas fases azedas com seu cinismo e língua afiada, seu outro lado é romântico e aventureiro, uma grande amiga. Para ela não basta ouvir palavras carinhosas e juras de amor. Apesar de muitas vezes parecer fria e distante, ela deseja ser amada e mimada. Jamais ficará calada se puder falar.São inúmeros os defeitos e algumas qualidades que a descrevem. Mas não são as palavras que vão te fazer a conhecer... Primeiro observe... Não tente adivinhar, tente desvendar...

Escrito por Liah às 17h50
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Escrito por Liah às 16h12
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